Operação Helmintos: Polícia Civil de SP desmonta esquema do PCC que lavou quase R$ 1 bilhão na Baixada Santista
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, em 3 de setembro de 2026, a Operação Helmintos, voltada a desarticular um núcleo do PCC suspeito de lavar cerca de R$ 1 bilhão provenientes do narcotráfico. A ação envolveu mandados de prisão, bloqueio de contas e sequestro de 29 imóveis em quatro cidades paulistas, com suspeitas de infiltração em licitações e financiamento de agentes políticos em Praia Grande.
["A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, a Operação Helmintos, ação destinada a desarticular um núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) investigado por lavar aproximadamente R$ 1 bilhão originados do tráfico de drogas. A operação foi conduzida pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém, com apoio do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter 6).","De acordo com as investigações, o grupo suspeito movimentou o volumoso montante principalmente na Baixada Santista, utilizando a compra de imóveis de alto padrão, por meio de escrituras particulares e procurações, e o controle de quiosques instalados na orla de Praia Grande como mecanismos centrais de lavagem. A estrutura criminosa contava com lideranças do PCC, operadores financeiros, intermediários do setor imobiliário e uma rede de testas de ferro para ocultar a origem ilícita dos recursos.","A polícia identificou quatro frentes de atuação do esquema: lavagem de dinheiro via negócios imobiliários, domínio de concessões de quiosques em espaços públicos, suspeita de favorecimento em licitação municipal realizada em 2020 para a Orla da Aviação, em Praia Grande, e possível financiamento a agentes políticos eleitos no município. A investigação apura ainda indícios de que o grupo tentava ampliar a influência da organização sobre os Poderes Executivo e Legislativo locais.","Durante as diligências, agentes cumpriram quatro mandados de prisão temporária contra lideranças e operadores financeiros do esquema. A Justiça também determinou buscas e apreensões, bloqueio de contas e investimentos, e o sequestro de 29 imóveis. As buscas tiveram como alvo imóveis residenciais e comerciais, empresas e um setor da administração do município de Praia Grande.","As diligências abrangeram quatro cidades: Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba. Os investigadores apreenderam documentos, contratos, registros financeiros, aparelhos celulares, computadores e outros materiais que deverão ser submetidos à análise pericial para aprofundar o mapeamento patrimonial e político do esquema.","O nome da operação é uma referência direta aos helmintos — organismos parasitas que se instalam em hospedeiros e deles se alimentam —, metáfora adotada pela polícia para descrever a forma como o grupo teria se infiltrado na economia e na política locais. As investigações seguem sob sigilo para identificar outros possíveis envolvidos e determinar a extensão completa do esquema.","A Operação Helmintos integra um esforço crescente das forças de segurança paulistas contra a expansão econômica e política do crime organizado. Especialistas apontam que o PCC vem adotando, de forma cada vez mais sofisticada, estratégias de infiltração no setor imobiliário e nos mecanismos de poder público como forma de legitimar recursos e garantir proteção institucional às suas atividades ilícitas."]
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